Percepção Musical – Treinando o seu ouvido

Muitas pessoas simplesmente “nasceram” prontas para ouvir música. São capazes de identificar acordes, suas variações mais sutis e tem uma memória rítmica acima da média. Nem sempre essas pessoas são excelentes músicos ou chegam a ser ótimos cantores, mas conseguem perceber tudo dentro da música que está sendo executada.
Se você é uma dessas pessoas e ainda por cima são bons musicistas. Parabéns! Vocês fazem parte de um seleto grupo de “privilegiados” e devem agradecer a Deus por isso todos os dias.
Agora, se por acaso você faz parte da grande maioria, que precisam treinar incessantemente até que a música “penetre na sua cabeça”, aqui vai algumas dicas para que você absorva melhor e assimile mais rápido uma música, quando precisar transcrevê-la, aprendê-la, executá-la:
    Se você tem dificuldade de saber a diferença entre um acorde e outro (MAIORES, MENORES, DIMINUTOS, AUMENTADOS), treine seu ouvido tocando esses grupos sucessivas vezes, para que você perceba suas características sonoras. Se você tem problemas com memorização de melodia, escute a música e tente copiar o que a voz está cantando ou o instrumento está solando e toque junto, trecho por trecho.
    Quanto melhor o seu ouvido estiver treinado, melhor será a qualidade da sua transcrição e execução. Quanto mais você tiver a habilidade de perceber acordes, convenções e melodias, mais rápido tornará o seu trabalho. E não se esqueça, adquirindo mais conhecimento você se tornará um músico mais completo.

    Leitura rítmica – o indispensável para qualquer tipo de músico

    Sabe aquela convenção super difícil que você fica 40 minutos para aprender? E aquela pequena passagem é tão complexa que desgasta todo mundo com tantas repetições pra conseguir absorvê-la? E que pra piorar, no dia de tocá-la em um evento de verdade todo mundo erra?
    Você não está sozinho nessa. Isso é um problema muito mais comum do que você imagina.
    Agora, por que isso acontece? Muito se falou e ainda sim é dito que o músico que aprende partitura acaba “engessado”, “duro” e “sem pegada”. Um grande engano. A verdade é que música não deixa de ser um código e se alguém resolve estudá-lo como pura matemática, também vai conseguir ser chamado de “músico”, mas isso é uma outra questão bem mais polêmica.
    Se você estudar esse código com a sua boa musicalidade, com certeza vai tirar muito proveito disso. O primeiro benefício é a capacidade de ter a leitura rítmica. Recomendo o livro para o aprendizado da leitura rítmica o famoso “POZZOLI”. Pode ir em qualquer loja de instrumento musical ou partituras que você irá encontrá-lo lá. É complicado estudar sozinho, mas você pode contratar um professor que saiba ou um amigo. No pior das hipóteses se oriente através da própria explicação que existe no livro.
    Com este método você será capaz de assimilar com muito mais precisão a relação das divisões rítmicas bem como identificá-las auditivamente. Será capaz até mesmo de escrevê-las quando ouvir as figuras em algum trecho de música ou isoladas.
    A rápida associação com a vivência rítmica lhe dará condição de ouvir qualquer convenção rítmica de qualquer música e imediatamente associá-la ao que estudou. Dessa forma você interiorizará a relação de tempo entre as notas e você conseguirá “decorar” quase que instantaneamente.
    Mas não se esqueça de escrevê-la, pois você também poderá se esquecer e deve se precaver, agora de uma forma sistemática, exata e sem dúvidas.
    Você perceberá que isso lhe dará uma condição de aumentar a velocidade de aprender uma nova música com a sua banda e lhe dará segurança pra executar todos os trechos das músicas, dando condição de você até mesmo criar variações como novos arranjos para músicas que sempre são executadas da mesma maneira.

    Dinâmica – o que quase ninguém faz e quase sempre faz a diferença

    Me lembro várias vezes de ter visto excelentes bandas, com excepcionais músicos, tocando algum tema muito interessante, entretanto sem nenhuma dinâmica. Soando tudo muito forte ou fraco, sem variações. Um desperdício. Agora é bem verdade que escutei formações até grandes com bastante músicos, utilizando desse ótimo recurso de dinâmica, alternando e graduando volumes de acordo com a interpretação e o trecho da música.
    Do que é feito um ótimo locutor? De uma voz grave e potente ? Ou da capacidade de interpretar um texto a ponto de prender a sua atenção e criar em sua mente paisagens, tensões, dramas, conflitos ou até mesmo desejo ? Fico com a segunda opção disparadamente.
    Isso deve ser uma constante musical também. Seu instrumento, mesmo de percussão precisa se adequar a dinâmica. Você precisa ter sensibilidade pra perceber os momentos certos dos quais você deverá tocar com mais vigor e outros que você deverá ser delicado e gentil. Tudo isso pode parecer subjetivo, mas escute música clássica: CHOPIN, TCHAIKOVSKY, ERIK SATIE, MOZART, etc. Você entenderá mais facilmente essa relação de dinâmica.
    Tudo isso faz parte de uma habilidade do músico que é mais importante de todas: OUVIR. Escute a música, perceba os momentos de tensão e relaxamento. Um guia básico para canção:
      Isso não deve ser regra, mas é um bom começo. Você pode variar essas opções, o que inclusive dará outra sonoridade para música até mesmo utilizando-se do mesmo arranjo.
      A capacidade de interpretar uma melodia, faz o músico mais sensível e mais apurado. Quando é possível perceber estas nuances na execução de uma banda inteira, o resultado é muito mais perceptível.
      Imagine o baixista, o baterista, o guitarrista e o tecladista respeitando nos mesmos momentos a dinâmica pré-estabelecida. A voz aparecerá muito mais e aquela “barulheira” ainda que bem tocada, deixará de existir.
      Não se iluda achando que isso não faz a diferença. Estudar música requer uma mudança na postura de tocar o instrumento. A forma como você o encara, muda muito na produção e qualidade do seu som.